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Lisboa Paulo Muhongo
Poesia

Onde os meus olhos não chegam

Paulo MuhongoPoema · 4 estrofes · 29 versos
Sonhei em abraçar o mundo, Em desbravar novos territórios, Ir ao encontro de novos horizontes, E mergulhar nas profundezas da diversidade humana, Conhecer homens diferentes dos do meu clã. Aprender novas culturas, novos idiomas, E assim, expandir a minha compreensão do mundo.
Na plenitude da minha força vital, Dada pela juventude no seu esplendor, Vesti a coragem como uma armadura, E transformei sonhos em realidade palpável. Despertei as imagens gravadas na minha mente, E tornei-as memórias vivas e vibrantes.
Porém, ao longo dessa peregrinação audaciosa, Deparei-me com obstáculos imprevistos, Caminhos tortuosos e cheios de perigos, Manchados pelo sangue daqueles que antes tentaram, Embarcar nessa mesma busca incansável. Transcendi as limitações impostas pelo meu clã, Que profetizava uma eterna condição de pobreza, E negava o acesso à plenitude da vida e à graça divina.
Desviei-me do destino comum que me foi legado sem o meu consentir, E tracei um caminho próprio, singular e grandioso, Apesar das dificuldades encontradas até o momento, Continuo a viagem incansável, Com a mesma chama que ardia desde o princípio, Com alegria no coração e graça no caminhar, Pois quando perseguimos apaixonadamente os nossos amores, nunca nos cansamos, jamais nos rendemos.
Leia a seguir · Poesia O despertar da alma ao longo do tempo Uma reflexão poética sobre o envelhecimento, a solidão e a sabedoria de encontrar paz, esperança e beleza nas memórias que o tempo preserva.
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Paulo Muhongo
Sobre o autor

Paulo Muhongo é poeta, crítico literário e analista político, em Lisboa. Escreve sobre África, poder e a palavra escrita.

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