
Alguns envelhecem com infinita graça,
Abraçando o ciclo da vida, a essência,
Aceitando as limitações que o presente traça,
Tanto físicas quanto da alma em sua experiência.
Quando o dia desabrocha, erguem-se com resolução,
Transcendendo dores, superando perdas
no caminho,
Contemplando o tempo com plena aceitação,
Recordando momentos ao lado dos seus,
com carinho.
Na suavidade da manhã, vestem-se com cuidado,
Não em previsão de visitas, mas por amor próprio,
Na casa outrora cheia de vida, agora calma,
Onde o silêncio murmura e cada canto guarda uma ressonância.
Jogam cartas consigo mesmo, oponentes solitários,
Há anos ouvindo apenas a própria voz,
sem par,
Mergulham nas memórias, como doces relicários,
De uma casa antes vibrante, agora em
quieto lugar.
Alegra-se ao saber que ainda há amanheceres por vir,
E com passos trémulos, regam o jardim florido,
Quem sabe, um dia, filhos e netos hão de surgir,
Para encher de novo a casa com o riso querido.
Alguns envelhecem e se tornam mais doces,
Guardando lembranças de um passado de felicidade,
Deliciam-se com as memórias que a mente trouxe,
Preservando a graça de viver, apesar da idade.
Este é o despertar da alma com o passar do tempo,
Um caminho de aceitação, sabedoria e paz,
Onde cada instante é uma joia, um alento,
E cada lembrança, um tesouro que a vida nos traz.