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Lisboa Paulo Muhongo
Poesia

O despertar da alma ao longo do tempo

Paulo MuhongoPoema · 2 estrofes · 32 versos
Alguns envelhecem com infinita graça, Abraçando o ciclo da vida, a essência, Aceitando as limitações que o presente traça, Tanto físicas quanto da alma em sua experiência. Quando o dia desabrocha, erguem-se com resolução, Transcendendo dores, superando perdas no caminho, Contemplando o tempo com plena aceitação, Recordando momentos ao lado dos seus, com carinho. Na suavidade da manhã, vestem-se com cuidado, Não em previsão de visitas, mas por amor próprio, Na casa outrora cheia de vida, agora calma, Onde o silêncio murmura e cada canto guarda uma ressonância. Jogam cartas consigo mesmo, oponentes solitários, Há anos ouvindo apenas a própria voz, sem par, Mergulham nas memórias, como doces relicários, De uma casa antes vibrante, agora em quieto lugar. Alegra-se ao saber que ainda há amanheceres por vir, E com passos trémulos, regam o jardim florido, Quem sabe, um dia, filhos e netos hão de surgir, Para encher de novo a casa com o riso querido.
Alguns envelhecem e se tornam mais doces, Guardando lembranças de um passado de felicidade, Deliciam-se com as memórias que a mente trouxe, Preservando a graça de viver, apesar da idade. Este é o despertar da alma com o passar do tempo, Um caminho de aceitação, sabedoria e paz, Onde cada instante é uma joia, um alento, E cada lembrança, um tesouro que a vida nos traz.
Leia a seguir · Poesia O que direi algum dia sobre a vida? Uma celebração da vida, dos seus prazeres e da beleza efémera da existência.
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Paulo Muhongo
Sobre o autor

Paulo Muhongo é poeta, crítico literário e analista político, em Lisboa. Escreve sobre África, poder e a palavra escrita.

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