
Na cidade do amor, meus pés mergulharam.
Das fontes de Camões, onde eu nasci,
Jorraram versos de Molière, no deleite da poesia gaulesa.
Dos seus pratos refinados fui bem servido,
Mas em mim, amor algum floresceu por aquelas terras.
De longe, vi-te, Lisboa,
E, embora não quisesse aproximar-me,
No teu leito encontrei serenidade,
Uma tranquilidade que nem mesmo o solo
Que me viu nascer soube dar-me.
Hoje, não quero mais nada além de ti.
O mundo inteiro se funde em ti.
Qualquer desejo de explorar novos horizontes
Para mim é alheio; nem Paris,
Londres, Veneza ou Washington comparam-se aos teus encantos
O que tenho aqui é mais nobre
Que todas essas cidades barricadas possam oferecer
Tenho paz e, do pouco que possuo,
Vivo como rei entre risos e abraços sinceros,
Que em nenhum outro lugar encontrei.